MPT e Justiça do Trabalho inauguram duas Bibliotecas Antirracistas e de Direitos Humanos no TO
Espaços instalados em escolas públicas ampliam o acesso de estudantes a obras voltadas à diversidade, à cidadania e ao enfrentamento do racismo
O Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal e Tocantins (MPT-DF/TO) e o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) inauguraram, na última sexta-feira (25), duas Bibliotecas Antirracistas e de Direitos Humanos em escolas públicas de Pedro Afonso (TO).
Os espaços foram criados para ampliar o acesso de estudantes a obras que promovem a valorização da diversidade, a cidadania, a educação em direitos humanos e o enfrentamento do racismo.
A instalação das bibliotecas foi viabilizada com recursos provenientes de ação civil pública, destinados pelo MPT em parceria com a Justiça do Trabalho. A iniciativa busca aproximar crianças e adolescentes de conteúdos que estimulem o respeito às diferenças e contribuam para a construção de uma educação antirracista.
A atuação da Justiça do Trabalho
Uma das unidades foi inaugurada no Colégio Estadual Cristo Rei. A cerimônia reuniu estudantes, profissionais da educação e representantes das instituições envolvidas na iniciativa.
A procuradora-chefa do MPT-DF/TO, Dalliana Vilar Pereira, participou da programação e conversou com as alunas e os alunos sobre trabalho escravizado contemporâneo, apresentando resultados de operações realizadas pelo MPT no Distrito Federal e Tocantins.
“Às vezes a gente nem percebe e está acontecendo um caso de trabalho escravo ali. Ficamos com a ideia da corrente visível, mas é a corrente invisível que representa a maior parte das situações”, afirmou.
Vagner Teixeira Maciel, servidor da Polícia Institucional do Ministério Público da União (MPU), compartilhou a experiência adquirida em importantes operações do MPT e explicou aos estudantes como é a atuação da polícia institucional nas ações de resgate de trabalhadoras e trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.
A juíza do Trabalho Maria José Rigotti Borges preparou uma dinâmica para explicar às crianças e adolescentes, com linguagem simples, o que pode ser considerado trabalho análogo à escravidão e outras situações proibidas por lei mas comumente encontradas em diversos lugares do país.
A juíza do Trabalho Solyamar Dayse Neiva Soares lembrou que cabe à Justiça do Trabalho equilibrar as relações entre trabalhadoras, trabalhadores e empregadores, mas também investir no futuro dos jovens.
“Esses livros que trouxemos são ferramentas para vocês fortalecerem a cidadania, o pensamento crítico e o protagonismo de vocês no mundo e na história”, pontuou.
Arte, canto e dança
A segunda Biblioteca Antirracista e de Direitos Humanos foi inaugurada na Escola Estadual Ana Amorim. A programação foi direcionada às alunas e aos alunos dos anos finais do ensino fundamental.
A chegada dos livros também foi um momento de celebração. A comunidade escolar realizou apresentações de arte, canto e dança, além da leitura de um poema escrito especialmente para a ocasião por uma professora da unidade.
As alunas e os alunos também abordaram o ritual indígena da menina-moça por meio de uma leitura coletiva e alternada de textos autorais, produzidos pelos próprios estudantes e projetados durante a apresentação. A atividade valorizou a cultura e as tradições locais.
A iniciativa conta com a participação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e do Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo, Tráfico de Pessoas e Proteção ao Trabalhador Migrante da Justiça do Trabalho.
As novas bibliotecas passam a integrar o cotidiano das comunidades escolares como espaços permanentes de leitura, conhecimento e reflexão sobre direitos humanos, igualdade e respeito à diversidade.




